terça-feira, maio 24, 2005

Cartão de canto dobrado

HAUUUUUDY HOOO!,

pois é, cá estou eu novamente...

para os que julgaram que tinham desistido do mundo blogiano, cá está este novo post a contraria-lo... para os expectantes, Saluten!

Antes de mais gostaria de vos informar, que este tempo de ausencia n foi de preguiça, mas sim de pesquisa... sim é verdade... uma pesquisa absorvente à qual só sobrevivi por engolir ovos inteiros para sobreviver.

todos nós ja fomos confrontados com um cartão de canto dobrado, ou, na pior das hipoteses, um canto cortado no cartão e o desenho da dobra a rematar a composição gráfica. Cartões com relevo, caligraficos, manchas de cor e afins, e de repente, um canto dobrado.

Instala-se a confusão... uns dizem q é sinal de cordialidade, outros de inutilização de cartão para n cair em mãos alheias... outro por etiqueta... enfim... uma parafernália de respostas que se afastam da rigorosa verdade, pilar estruturante da minha formação cientifica e académica.

Todas as possibilidades estavam em aberto, filado como um perdigueiro, andava a procura da verdadeira história do cartão com canto dobrado. perguntava a toda a gente, tentando obter uma amostra percentualmente significativa da população activa portuguesa - sim, porque são estes que têm contacto directo com a dobra do canto.

semanas passaram e a minha angustia aumentava... sonhava com as dobras a 45º meticulosamente vincadas... para quê? porque raio se dobra o cartão... a explicação estava longe da manipulação contemporânea do papel... só poderia ser um hábito secular.

numa visita rotineira a um antiquário (rotineira desde que abracei a pesquisa do hábito) tento falar com o gerente que me parece atarefado... dou uma volta ao local.

perto de um contador indo-europeu um velhote, que pelas feições era o pai do gerente, olha estaticamente para mim. os olhos estavam amarelos, da cor das pontas dos dedos queimadas pelo provisórios. lacrimejante continua na sua lenta análise à minha figura inquieta. sento-me perto dele e apresento-me. sem retorno da parte dele, continuo em selencio, sentado ao lado dele. "é por causa dos cartões, não é?" pergunta-me ele.... o meu sangue gela e aceno com a cabeça.

"a dobra do cartão torna-se vulgar com o advento da produção industrializada, com a tentativa de rentabilizar os excedentes, o contacto comercial ganha a sua expressão com a invenção do cartão pessoal, que era entregue aos mordomos à porta de casa dos senhores, para serem atendidos em reunião. ao pousar na bandeja dobrava-se o canto para que, ao entregar ao senhor, este não tivesse dificuldade em levanta-lo e saber quem o esperava."

...cumprimentei-o e segui para casa na tentativa de registar a sua descrição.